Solo, floresta e sustentabilidade

Quanto vale um quilo de solo? O preço de propriedades agrícolas varia em função de sua localização, aptidão do solo, leis de mercado..., mas isso trata-se do preço de uma área, não do solo. Sabemos o quanto custa construir a fertilidade de uso solo e torná-lo apto ao cultivo, entretanto, continuamos sem saber quanto vale um quilo de solo. A relevância desta pergunta não está no estabelecimento de um mercado de solo por unidade de massa, óbvio que não, está na quantificação do impacto econômico das milhões de toneladas de solo perdidas anualmente por erosão.

A dificuldade em responder esta pergunta está na multiplicidade de funções, “serviços”, do solo. O solo é o substrato de produção de quase todo o alimento e grande parte das fibras e da energia que consumimos, sendo a esperança para uma matriz energética mais sustentável. Além disso, o solo presta diversos outros serviços ecossistêmicos, que apesar de não pagarmos por eles, são grande importância para o equilíbrio ambiental e para nossas vidas. Dentre estes serviços podemos listar a produção de água, reciclagem de nutrientes, sequestro de gases do efeito estufa e manutenção da biodiversidade.

Além de suportar o crescimento das florestas, o solo é um ecossistema vivo, que suporta uma diversidade imensurável de organismos, que ainda conhecemos muito pouco. Qual o valor dessa biodiversidade? Estima-se que 60% dos medicamentos aprovados contra o câncer entre 1983 e 1994 são originários do solo, além de 78% dos agentes antibacterianos aprovados. O exemplo mais conhecido é o da penicilina, primeiro antibiótico conhecido, que é proveniente de fungos do gênero Penicillium, de ocorrência comum no solo. É possível atribuir um valor a isso?

Tamanha é a importância da biodiversidade do solo, que essa foi a temática escolhida para o Dia Mundial do Solo de 2020. O dia mundial do solo foi instituído pela FAO com o objetivo de demonstrar a importância do solo para a sociedade, visando sua conservação. Mas, como nós, silvicultores, estamos cuidando deste importante recurso natural?

A adoção do cultivo mínimo, nos anos 90, trouxe grandes avanços em termos de conservação dos solos cultivados com florestas plantadas, reduzindo drasticamente as perdas de solo por erosão, aumentando a eficiência do uso de fertilizantes e os estoques de C do solo. Entretanto, nos últimos anos, o aumento da escala dos projetos tem forçado um retrocesso das técnicas de cultivo mínimo. O uso de sistemas de colheita mais intensivos, o aumento da faixa de preparo e a raspagem da superfície do solo como forma de controle de plantas daninhas são exemplos deste retrocesso. Perdas de solo por erosão em plantações florestais mal manejadas podem atingir valores superiores a 10 t ha-1 ano-1. Este fato é agravado ainda mais pela localização destas plantações. As plantações florestais estão comumente estabelecidas em solos arenosas ou áreas declivosas, muito susceptíveis à erosão. Em plantações florestais implantadas sob o sistema de cultivo mínimo, mesmo em solos susceptíveis à erosão, as perdas de solo dificilmente ultrapassam 0,5 t ha-1 ano-1.

Estudos de longa duração apontam que a degradação do solo causada pela adoção de sistemas de colheita e preparo de solo mais intensivos afeta a sustentabilidade da produção florestal, mesmo com o uso de elevadas doses de fertilizantes. Em outras palavras, o uso de sistemas intensivos de colheita e preparo de solo, no longo prazo, reduz a produtividade e aumenta a demanda por fertilizantes.

Como conciliar o aumento das escalas de plantio e a necessidade de intensificação dos sistemas de colheita com conservação do solo e sustentabilidade da produção florestal? Como medir sustentabilidade da produção florestal? Para responder estas questões a GEPLANT está desenvolvendo o método SNC.

Com sólida fundamentação científica, o método SNC é um sistema integrado que auxilia no monitoramento do impacto das plantações florestais no meio edáfico, fornecendo indicadores para o planejamento de boas práticas de manejo do solo e fertilização. Com o método SNC é possível medir a sustentabilidade da produção florestal. Para saber mais, entre em contato conosco.

Publicado em 17 de dezembro de 2020

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