Artigo de Nelson Barboza Leite
Essa é uma pergunta que continua provocando discussões entre pesquisadores, técnicos, empresários e investidores do setor florestal brasileiro. Afinal, qual é a produtividade que podemos considerar com segurança quando planejamos uma floresta de eucalipto?
30, 40 ou 50 metros cúbicos por hectare/ano?
A diferença é enorme! E suas consequências também. Estamos falando de investimentos que exigem muitos recursos, ocupam grandes extensões de terras e dependem de decisões cujos resultados somente serão conhecidos vários anos depois. Uma diferença de 10 ou 20 metros cúbicos por hectare/ano pode mudar completamente a viabilidade econômica de um empreendimento, o dimensionamento de uma indústria e a segurança do abastecimento de madeira.
Mas como sair do campo das expectativas e trabalhar com informações que ofereçam maior segurança? Foi justamente essa preocupação que nos levou a procurar a GEPLANT – TECNOLOGIA FLORESTAL, em Piracicaba, empresa especializada na integração de informações técnicas e científicas para avaliação do potencial produtivo das florestas, além do desempenho operacional de campo. Um mergulho na realidade, através da excelência das ferramentas digitais disponíveis.
A proposta é tão interessante quanto necessária! Reunir informações sobre clima, solos, disponibilidade hídrica, materiais genéticos, resultados de pesquisas, experimentações e variáveis operacionais que interferem na produtividade, utilizando matemática, estatística e conhecimentos científicos para estimar o potencial produtivo de diferentes condições de cultivo. E o mais interessante: essa avaliação pode ser realizada em diferentes escalas — talhões, fazendas, empresas e regiões inteiras. Isso abre possibilidades extraordinárias!
Para quem faz silvicultura, representa uma oportunidade de conhecer melhor suas condições de produção, estabelecer metas realistas e orientar suas práticas de manejo.
Para quem investe, significa dispor de informações mais consistentes para avaliar riscos, comparar alternativas e tomar decisões.
Para quem depende da madeira como matéria-prima, oferece uma base técnica para dimensionar empreendimentos, planejar o abastecimento e constituir estoques estratégicos compatíveis com a capacidade produtiva das florestas.
E tudo isso sem milagres ou promessas de produtividades espetaculares! Não se trata de substituir a experiência dos profissionais, os inventários florestais ou as avaliações de campo. Pelo contrário, trata-se de reunir conhecimentos, integrar informações e oferecer mais consistência às decisões.
Naturalmente, estimativas continuam sendo estimativas. Precisam ser confrontadas com os resultados de campo, atualizadas e acompanhadas de suas margens de incerteza. Mas existe uma diferença fundamental entre projetar uma produtividade com base em informações científicas e simplesmente acreditar que ela será alcançada.
A silvicultura brasileira acumulou décadas de pesquisas, experimentações e experiências práticas. Por que não aproveitar melhor todo esse conhecimento para reduzir as incertezas dos nossos empreendimentos? Talvez estejamos diante de uma oportunidade importante de aproximar ainda mais a ciência, a experiência de campo e as decisões empresariais.
Afinal, a produtividade não pode ser apenas um número conveniente para justificar um investimento ou atender à necessidade de abastecimento de uma indústria. Ela precisa ser uma expectativa tecnicamente fundamentada, compatível com as condições reais de produção.
E voltamos à pergunta inicial: 30, 40 ou 50 metros cúbicos por hectare/ano?
A resposta não deve estar na preferência de quem planta, na necessidade de quem consome ou no entusiasmo de quem investe. Deve estar no potencial produtivo que as condições de cada local permitem alcançar, com manejo adequado e riscos conhecidos.
Essa é a grande contribuição que ferramentas como a apresentada pela GEPLANT podem oferecer. Porque, na silvicultura, uma coisa é desejar determinada produtividade. Outra, muito diferente, é dispor de fundamentos para acreditar que ela será alcançada.
E quando estão em jogo milhões de reais, milhares de hectares e o abastecimento de indústrias por décadas, conhecer essa diferença não é apenas importante. É indispensável!
Nelson Barboza Leite


